
O nosso comportamento alimentar é construído a partir de influências socioculturais, familiares, individuais, mas também das nossas experiências psicológicas ao longo da vida. Todos esses fatores desempenham um papel estrutural na construção e desconstrução da nossa relação com a comida e com o nosso corpo.
Os meios de comunicação têm um papel decisivo na formação de conceitos, opiniões e comportamentos, especialmente com o crescimento das tecnologias e o advento da internet desde o final dos anos 60, o que fez surgir um contexto comunicacional jamais experimentado. Desde o surgimento da rede, os modos como as pessoas se comunicam e consomem informações vem passando por significativas mudanças. Dentre essas mudanças, podemos destacar a influência das mídias sociais sobre o comportamento e o pensamento do seu público, desempenhando um papel importante no treinamento e reflexão da opinião pública, reproduzindo a autoimagem de uma sociedade.
No que diz respeito à alimentação e nutrição, através de notícias, comerciais e publicidade, a mídia coordena a chamada por meio de rotinas consideradas “saudáveis”, como também à campanhas das indústria de alimentos, que estimulam o consumo de ultraprocessados, com alta palatabilidade e calorias. Paralelemente, o padrão de beleza estabelecido pelas mídias sociais nas últimas décadas tem influenciado a população, especialmente nas fases mais precoces, como adolescentes e jovens adultos, que são frequentemente expostos à conteúdos os quais podem ser gatilhos para relações disfuncionais com a comida e com o corpo, até mesmo o surgimento de transtornos psiquiátricos, como os transtornos alimentares.
O “corpo perfeito” reflete a imagem de poder, beleza, aptidão social e felicidade, mas ao mesmo tempo promove a insatisfação de indivíduos com sua própria imagem, principalmente àqueles que não se encaixam nos padrões impostos pela sociedade, o que reverbera sobre as suas práticas alimentares na tentativa de alcançá-los.
Por outro lado, o uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC´s) vêm se expandindo com ferramentas aliadas da comunidade, capaz de ampliar oportunidades educacionais e possibilitar uma educação aberta e continuada em saúde, e com o crescente acesso à essas tecnologias, vivenciamos modificações na forma de produzir e consumir produtos de mídia.
A internet, a qual anteriormente era apenas consumida, atualmente proporciona a criação e compartilhamento de conteúdo nas distintas mídias, formando-se como um espaço novo de interação humana e trocas que podem proporcionar, quando utilizadas de forma assertiva, orientações pautadas na ciência e nos saberes em prol de uma relação positiva com a alimentação o que repercute sobre a saúde na sua forma mais plena.
Neste sentido, o III Meeting Alimenteamente UFPE, vem trazendo como tema a “Era digital e seus impactos nas relações com a comida e o corpo”, promovendo essa ampla discussão, com diversos olhares e compartilhando as experiências exitosas e éticas sobre esse tema.
Vamos aproveitar!!
