
Pensar no Brasil é pensar também no destaque da comida e da culinária. Na história da alimentação brasileira, a culinária europeia costuma ser frequentemente valorizada, enquanto que aspectos ligados às culturas alimentares indígenas e africanas aparecem, em muitos momentos, com contribuições menores. No entanto, sabe-se que durante o período colonial e de instalação de um regime escravista no país, foi possível a introdução de plantas, temperos e especiarias provenientes de vários continentes – principalmente da África –, configurando o que hoje podemos chamar de culinária “afro-indígena”. Urge então a necessidade de resgatar e fortalecer esse passado, valorizando o consumo de alimentos nativos do território e os saberes culinários dos povos originários e dos grupos historicamente minorizados.
Neste cenário, o ato de comer traz diversas significâncias, desde o seu valor político, até se tornando uma “ponte” entre o passado e o presente, reconhecendo a alimentação como uma ferramenta de autonomia e também de definição de uma relação com o corpo. E se falamos em corpo, logo lembramos do “padrão de beleza”, o qual determina quais são as características consideradas “belas" dentro de uma sociedade.
Não é novidade para ninguém que os padrões de beleza se reformularam diversas vezes através da história, provando-se um conceito não só subjetivo, mas também um produto de um contexto social e/ou histórico. Porém, ainda assim, o padrão de beleza idealizado principalmente pelas brasileiras é eurocêntrico, ignorando nossas características de um povo miscigenado e multicultural. Em vários aspectos, a nossa sociedade é influenciada por essa lógica, que ainda possui fortes raízes no colonialismo. Toda essa perspectiva de influências impacta diretamente sobre o comportamento alimentar, que possui pilares em contextos socioculturais, familiares e individuais. Em outras palavras, todos esses fatores desempenham um notável papel estrutural na construção e desconstrução da nossa relação com a comida e com o corpo.
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IV Meeting Alimenteamente
Frente a isso, justifica-se a necessidade da decolonização, que por semântica refere-se à contraposição da colonialidade (permanência da estrutura de poder colonial, alicerçada na racialização, no eurocentrismo e na hegemonia), fazendo um movimento contrário, de apropriação da história e da cultura, a partir da perspectiva dos povos inferiorizados. Assim, o IV MEETING ALIMENTEAMENTE traz como tema a “Decolonização da Comida e do Corpo: Reflexões necessárias na contemporaneidade”, buscando promover debates e discussões em amplos desdobramentos e incentivando a valorização dos múltiplos saberes. Neste ano nosso evento acontecerá no formato remoto (online).
Venha participar conosco!
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